Uma comitiva de docentes e alunos do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano - Universidade de Aveiro e de dinamizadores do Vivó Bairro (*) foi a Milão participar numa intensiva sessão de trabalho no âmbito do Community Participation in Planning - CPIP organizada pela Grazia Concilio, nossa parceira do projecto no Politécnico de Milão. Em resultado da visita, onde conhecemos várias iniciativas exemplares, e do debate realizado ao longo destes dois anos de trabalho retivemos três ideias chave. Primeira ideia: a relação entre as universidades e as comunidades locais é cada vez mais forte e diversificada em resultado do reconhecimento do papel do conhecimento, nas suas múltiplas formas, como instrumento de transformação da realidade. Segunda ideia: o aprofundamento dessa relação vai exigir um quadro de institucionalização, em modelo de geometria e geografia variáveis, e no qual as universidades podem assumir um relevante papel de mediação, que dê uma maior sustentação aos esforços individuais e coletivos e mobilize e organize, de uma forma mais eficaz, os recursos disponíveis visando a promoção de ações pelo bem comum. Terceira ideia: apesar dos notáveis progressos, há um longo caminho de sensibilização dos actores envolvidos, de desbloqueamento de barreiras institucionais e culturais e de activação de energias cívicas dispersas, adormecidas e invisíveis. Para dar continuidade a esta reflexão, convidamo-los a participar ativamente na IV Conferência de Planeamento Regional e Urbano que vamos organizar 23 e 24 Fevereiro na Universidade de Aveiro - call para resumos/abstracts aberta até ao dia 25 de Novembro
A conferência Velo-City juntou este ano em Nantes mais de 1.600 participantes de cerca de 60 países. É um pequeno continente de activistas, cientistas, políticos e empresários que se forma durante quatro dias para falar de bicicletas e, este ano, da forma como estas podem ajudar a construir um futuro melhor («cycling: future makers»).
A sessão de abertura, normalmente excessivamente protocolar, teve alguns discursos marcantes. Do conjunto retive o apelo para que as conversas dos próximos dias não se centrem na bicicleta, mas nas cidades que queremos ter e nas necessidades dos seus cidadãos. Um apelo oportuno para que as conclusões possam chegar aos 91% de pessoas que na Europa não andam de bicicleta.
Das intervenções do primeiro dia, das quais destaco a dos autarcas de Rennes, Estrasburgo e Nantes, municípios franceses referência nesta matéria, registo as seguintes três sugestões de aposta. A necessidade de cidades e bairros de proximidade que reduzam as deslocações entre casa, trabalho e serviços, oferecendo aos seus utilizadores mais densidade, massa crítica e tempo. Também foi proposto a aposta num espaço público qualificado visando reduzir a velocidade, aumentando a partilha do espaço pelos diferentes modos de transporte e a segurança para os mais frágeis. Por último, foi recomendada a criação de multi-serviços de apoio aos ciclistas centrandos na procura das condições para ultrapassar os obstáculos básicos que impedem a mudança de modo de transporte, nomeadamente o estacionamento seguro (no espaço público, edifícios actuais e futuros), a manutenção da bicicleta, o apoio à deslocação (através das tecnologias) e as entrega de compras e pequenos volumes ao domicílio.
Do ponto de vista metodológico, também três medidas. Fixar objectivos razoáveis para a quota modal da bicicleta e medir regularmente o impacto das medidas. Envolver as comunidades na concepção e implementação das propostas, nomeadamente através de novas figuras institucionais (como os conselhos de utilizadores de espaço público recentemente criado em Nantes - ver exemplo). Após resolvidos os principais problemas do centro da cidade, iniciar iniciativas semelhantes nos territórios mais periféricos, garantindo um maior equilíbrio espacial nas intervenções e preocupação.
Está aqui uma boa agenda para os municípios portugueses.
É necessário colocar a regeneração do centro das cidades na agenda política local e nacional. Isso não significa necessariamente mais investimento nas cidades, mas uma melhor combinação dos actores e recursos disponíveis em torno de um desígnio comum, com enfoque territorialmente articulado.
«Smart Civic Cities» é um pequeno um contributo de reflexão para o debate sobre smart cities. O sublinhado assinala o potencial da inteligência colectiva para promover melhores cidades. Partilho o documento apresentado na passada sexta-feira na Conferência «Smart Cities: It's all About People» organizado pela Smart Cities Portugal (rede gerida de forma notável pela Catarina Selada). É uma versão 2.0 aumentada e melhorada.
A Plataforma Tecnológica da Bicicleta está a lançar a iniciativa «UA CAMPUS CIDADE BIKE-FRIENDLY» um desafio colectivo pela promoção da mobilidade suave e criação de produtos e serviços para a bicicleta baseados em conhecimento. Partilhamos um primeiro documento de reflexão. Agradecemos comentários e sugestões para: ptbicicleta@ua.pt
Temos o país em risco. 4 milhões de automóveis produzem diariamente mais de 60% das deslocações, 3x mais do que tínhamos há 20 anos, uma parte delas de curta duração. Andamos menos a pé (16%, menos 55% que em 1991) e de transporte colectivo (17%, menos 1/3 em igual período). Ao mesmo tempo, 1 milhão de adultos e 15% das crianças entre 6 e 9 anos são obesos. Mas não só. 3,5 milhões de adultos e 1/3 das crianças entre 6 e 9 anos têm excesso de peso. Temos cidades e cidadãos em risco cardiovascular, com consequências conhecidas.
A bicicleta enquanto modo de deslocação diário tem alguma expressão em certas zonas do país (sobretudo no Baixo Vouga, mas também no Baixo Mondego, Pinhal Litoral e Algarve), sobretudo nas deslocações para a escola e também trabalho. Mas tem expressão residual a nível nacional (0.5%).
Mas algo está a mudar. Em 2012 venderam-se mais bicicletas que automóveis (113.408 automóveis e 350.000 bicicletas). E exportamos 200 milhões de euros de bicicletas (o Paulo Rodrigues da ABIMOTA lembra que isto é um pouco menos de metade da cortiça). Somos o 5.º maior produtor de acessórios e o 7.º de bicicletas na Europa.
Para além dos 30.000 utilizadores regulares, mais de 100.000 pessoas praticam desporto em bicicleta. E alguns usam-na em passeios de fim-de-semana e em férias.
A bicicleta pode ajudar a tratar da saúde das nossas cidades, da nossa economia, da nossa saúde. Talvez não seja preciso inventar a roda, mas podemos encontrar a mudança certa. E cada um de nós pode fazer algo por isso!
«Conjunto de documentários cientifícos sobre aspetos da biodiversidade da Ria de Aveiro, produzido e realizado pelo Departamento de Biologia e pelos Serviços de Tecnologias de Informação e Comunicação da Universidade de Aveiro, com a colaboração do IDAD»
Tivemos, hoje de manhã, no DCSPT a presença do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Eng.º José Ribau Esteves, que nos veio falar dos «desafios da transparência e participação nas autarquias». No rescaldo da noite eleitoral marcada por uma elevada abstenção, o tema do evento não poderia ser mais pertinente. A qualidade da intervenção do orador, o debate e a presença significativa e atenta de alunos (do 2.º ano da Licenciatura em Administração Público) mesmo num horário improvável - das 8:15 às 10:00 - mostraram que provavelmente algo está a mudar na sociedade portuguesa.
«A portuguesa Milene Matos caba de ganhar um prémio europeu atribuído pela Federação EUROPARC em cooperação com a Fundação Alfred Toepfer, intitulado “Alfred Toepfer Natural Heritage Scholarships”, que visa galardoar jovens conservacionistas com provas dadas na área da conservação da natureza, em particular nas áreas protegidas da Europa. É a primeira vez que este prémio é atribuído a um conservacionista português»