Sortear a democracia ou pressão alta?
«Talvez seja útil confrontar os partidos com gente fora das suas reservas de caça, mais livre e solta para pensar»
António José Teixeira, Expresso 8/05/2014
Percebe-se a provocação de António José Teixeira, um dos mais lúcidos analistas da vida política portuguesa. Perante os sinais de esgotamento do funcionamento do sistema (democrático representativo e das suas instituições) somos levados a procurar respostas fora do «rectângulo de jogo» na esperança que os novos actores tragam alguma «lufada de ar fresco» que contribua para oxigenar o ambiente pesado em que vivemos.
Admito a necessidade desses novos protagonistas e de procurarmos encontrar formas menos comuns de os chamar a jogo. Mas talvez valha a pena não negligenciar alguns exemplos da história recente da democracia participativa - orçamentos participativos, por ex. - para perceber a forma como o «sistema» adoptou essas novidades e lhes deu protagonismo mediático sem que nada de substancial tenha mudado.
Talvez a solução passe por continuar manter a «pressão alta».
