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ESTADO SOCIAL

respigos e reflexões sobre o território e a sociedade

China Thinking About Building a Train That Reaches America

13.05.14

«Quando chegou a Coimbra não era já o caloiro ingénuo, o filhinho família pois já estivera fora de casa em Santarém e em Aveiro onde fizera o Liceu.

Estava preparado para a luta e para enfrentar o futuro. 

Com escassa mesada, queria gozar sem ser pesado à família.

Qual seria o melhor caminho?

A Tuna Académica e o Orfeon proporcionavam aos componentes excursões aliciantes, tratou logo de candidatar-se a Tuno e Orfeonista.

Simultaneamente começou a frequentar o Grupo Dramático.

Em Aveiro fora protagonista do célebre Pangloss – um turista estrangeiro que vinha apreciar e criticar o que de bom e mau havia na cidade, na revista Pangloss em Aveiro”.

Fácil lhe foi conseguir o difícil e pouco apetecido papel de “Pantaleão”, o proprietário de uma república de estudantes que ao vir receber as rendas muito atrasadas acaba por ceder dinheiro à malta.

Tão bem se houve que ganhou o cognome “Pantaleão” por que passou a ser conhecido.

Continuava a assistir aos ensaios da Tuna e Orfeon.

Chegou a altura do exame de apuramento de novos elementos.

No Orfeon acharam a sua voz fora dos 4 naipes necessários – Reprovação.

Na Tuna, embora tivesse tomado a precaução de escrever o nome das notas na música não foi suficiente para convencer o examinador de que os seus conhecimentos de viola serviam para mais do que para acompanhar uma serenata em noites luarentas e mornas de Primavera.

Ei-lo pois fora da Tuna e do Orfeon e desfeito o sonho de participar na excursão que se avizinhava e nas outras que se seguiriam… mas nem tudo estava perdido… na impossibilidade de à última hora angariarem substituto para o teatro, em vésperas de excursão, ficou nomeado sem discrepâncias sócio honorário das duas colectividades e participou nas excursões mais variadas pelo Continente, Açores, Espanha, Brasil, etc.

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Passado tempo tomou-se uma resolução ousada, ir ao Brasil visitar a Colónia Portuguesa saudosa da Pátria e ansiosa por através dos rapazes da Briosa, matarem saudades do país distante, mas não esquecido.

A despesa era muita, o dinheiro pouco, conseguiram que a Companhia de Navegação lhes improvisasse uma classe intermediária, 3ª encapotada, e com magros subsídios abalançaram-se à partida.

Entretanto o Pantaleão era posto perante rude prova. Ir era um sonho, um desejo ávido, mas era um [sonho?] perdido pela certa com as repercussões inerentes, o maior sacrifício da mãe viúva que vivia para o seu último filho.

Que fazer?

Horas e horas hesitou ouvindo os conselhos prudentes de um amigo.

É aí que entra a lenda…

Foi então que começou a dizer-se que a mãe aflita pela longa viagem marítima lhe pedia que renunciasse à ida e que ele lhe telegrafara que com um subsídio extra, lhe prometia ir de comboio».

 

(...) 

Lembrei-me desta magnífíca história do «Pantaleão» quando li a notícia de que «China Is Reportedly Thinking About Building a Bullet Train That Reaches America» um longo percurso de «13,000 km of high-speed railway that crosses from China to Russia and North America and includes a 200-km tunnel under the Bering Strait».

Nada originais, estes chineses!  

(...)

 

 

 

(...)

«E foi ao Brasil onde com os outros viveu dias inesquecíveis, acarinhados, acompanhados pelos brasileiros e portugueses que nada lhes deixavam gastar e os cumulavam de presentes e agrados

Viagem triunfal, digressão sempre ovacionada e comparticipada, regiamente remunerada; tanto que regressaram em 1ª classe num luxuoso paquete estrangeiro e, com as sobras, ainda contribuíram para a construção do Jardim Infantil João de Deus.

O amigo prudente que não foi ao Brasil também chumbou…»

 

ANAgráfica, Coimbra 2005

(escrito e coligido pela minha Tia Ana e minha Avó Zezinha; sobre meu Avô Henrique Pereira da Mota)