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ESTADO SOCIAL

respigos e reflexões sobre o território e a sociedade

Arquitectura frugal

30.04.14

Mais informação: LINK

 

A Monditalia uma das três secções da Bienal de Arquitectura de Veneza 2014 - publicou um sugestivo gráfico que mostra o número de habitantes por arquitecto em 36 países do mundo. 

A Itália é o país com o maior valor dos analisados - 414 habitantes/arquitecto - o que dá aproximadamente um arquitecto por quarteirão (18 blocos de apartamentos de três pisos). O rácio em Portugal não é muito diferente, andando por volta dos 450 habitantes/arquitecto (temos hoje mais de 20.000 arquitectos).

 

Um notícia do Público do final do ano passado já tinha dado o alerta - os arquitectos são demais para tão pouca obra para fazer (P3) - e vários amigos arquitectos têm partilhado a dificuldade. 

Ainda assim, se o problema afecta a grande maioria dos profissionais da área, há alguns que vão - aparentemente - escapando aos «pingos da chuva». O Finantial Times dá conta que «Portugal’s architects lead new hotel trend» caracterizada por «small, alternative but perfectly-designed bolt holes».... «in rural locations» ... with «a strong link with the landscape and nature» using «unconventional and distinctly humble materials, from raw cement, to cork, to recycled wood» (FT, 25 de Abril 2014).

Diz-se que a dificuldade aguça o engenho e talvez esta nova tendência mais frugal e táctica da arquitectura (e do urbanismo) seja o caminho adequado aos tempos modernos, mas o seu alcance é muito limitado (do ponto do número de encomendas e dos profssionais envolvidos).

Ainda assim, perante a significativa e comprovada necessidade de recuperação do território edificado e não edificado - para fins sociais ou económicos, turísticos, por ex. - deveríamos ter outras ferramentas de mobilização dos saberes dos milhares de arquitectos que o país formou e que estão hoje com muito pouco trabalho. Justifica-se por isso que as organizações profissionais, o Estado e a sociedade em geral se organizem para estudar como se pode tirar partido do pontencial imenso de projectação urbana que dispomos e que não temos sabido usar. Porque está visto que «cada um por si» não funciona! 

 

 

 

 

 

Nem de propósito, Serralves organiza em Maio um oportuno debate sobre o projecto SAAL com a participação dos principais arquitectos envolvidos (Arquitectos que protagonizaram SAAL vão debater projecto em Serralves, Público).