A Plataforma Tecnológica da Bicicleta está a lançar a iniciativa «UA CAMPUS CIDADE BIKE-FRIENDLY» um desafio colectivo pela promoção da mobilidade suave e criação de produtos e serviços para a bicicleta baseados em conhecimento. Partilhamos um primeiro documento de reflexão. Agradecemos comentários e sugestões para: ptbicicleta@ua.pt
A necessidade de uma abordagem mais holística e preventiva à questão da saúde e bem-estar das comunidades que vivem aglomerações urbanas fez com que a OMS criasse em 1986 o conceito de «cidades saudáveis». Apesar do impacto mediático da iniciativa, e do seu desenvolvimento à escala global, os resultados têm ficado um pouco aquém do desejado. Isto aconteceu em grande medida pela dificuldade da passagem da teoria à prática, seja pela exigência dos requisitos - ambiente físico de qualidade, necessidades básicas da população asseguradas, serviços públicos de saúde acessíveis a todos – seja pela ambição metodológica necessária à sua concretização- compromisso político, liderança, mudança institucional e parcerias entre actores. A partir da análise da realidade em Portugal e dos problemas que as nossas cidades hoje enfrentam, convido os participantes no evento do dia 17 de Outubro organizado pelo Núcleo de Arquitectos da Região de Viseu a pensar de que forma nos podemos organizar colectivamente para planear e conceber «cidades (verdadeiramente) saudáveis».
Estive em Mangualde a convite da Silvia Vermelho e da Patrícia Morais da Ação Pólis para falar sobre Cidades, Participação e Futuro. É sempre estimulante encontrar cidadãos e organizações inquietos sobre o futuro das suas comunidades e disponíveis para pensar e agir (colectivamente). Os problemas que temos pela frente são muito complexos e de difícil resolução. Provavelmente, alguns não terão solução. Mas acredito que o caminho mais promissor é aquele que pudermos fazer colaborativamente e em torno das cidades.
Partilho o guião da conversa que serviu de mote à nossa animada conversa. Espero que vos seja útil!
Termino agradecendo à Sílvia e à Patrícia e dando-lhes os parabéns pelo seu elevado sentido de responsabilidade social pela Pólis. Se puder ser útil, disponham!
No dia 20 de Setembro estarei em Mangualde a convite da Silvia Vermelho e da Ação Pólis para falar do papel dos cidadãos e das organizações de cidadãos na vida das suas cidades e vilas, num momento em que o futuro parece tão pouco animador. Como ponto de partida para a conversa deixo as seguintes questões. Que recursos dispomos na nossa comunidade e como os temos valorizado (onde estamos nós)? Que ambições individuais e colectivas temos (para onde queremos ir)? Como nos podemos mobilizar e organizar colectivamente (como vamos lá chegar)? Parece-vos bem? Então se puderem, apareçam!
Pedro Graça, director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, citando Philip James numa entrevista ontem ao Público, referiu que «a ideia de que as pessoas, depois de serem informadas, mudam por completo os seus hábitos alimentares é irrealista, porque estamos num ambiente obesogénico». Acrescenta ainda que a «capacitação das pessoas é importante, mas as autoridades públicas têm a obrigação de alterar o ambiente onde vivemos e compramos». Muitas vezes negligenciamos o peso do contexto ou do ambiente que nos rodeia para a alteração de hábitos, sejam alimentares, de consumo ou de deslocação. A pedagogia é importante, temos de equilibrar estímulos e castigos, regular oferta e a procura, mas não podemos negligenciar o peso do contexto ou do ambiente envolvente. E perceber que são sobretudo os grupos sociais fragilizados que mais sofrem a influência do ambiente (do contexto físico, social e económico) nesse imensa batalha por uma vida com hábitos mais saudáveis. É por isso cada vez importante um forte papel regulador do Estado.
Será que há mesmo almoços grátis? Michael Pollan, presente na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), e citado pelo Público, diz que sim, desde que os saibamos cozinhar. Palavras sábias, estas. Talvez isso explique que o cozinhado de um novo banco, anunciado com grande impacto ontem por LMM na SIC, a ser pago integralmente pelos bancos, sem qualquer factura para a mesa dos contribuintes, não mereça mais de que uma pequena chamada no fim da primeira página e reporte para o canto da página 23. Parece-me injusto. Tal repasto pantagruélico merecia ser saudado com outra pompa e circunstância.
Já se sabe que os (bons) fregueses têm sempre um tratamento privilegiado. Mas não será um pouco excessivo uma página inteira do Expresso para a praia do Torel? Não haverá ocorrência mais interessante por este país fora a merecer atenção, meus caros amigos jornalistas do Expresso?
As histórias que o Expresso conta hoje sobre o BES são aterradoras. Manifestam um total descontrole e desnorte, uma permanente fuga para a frente, de prejuízo em prejuízo, com um impacto que se prevê devastador para o banco, para a economia e para o país. Acontece que estas decisões foram tomadas e executadas por pessoas - da administração aos responsáveis dos diversos departamentos - que não podiam não saber o que estavam a fazer. E não podiam ignorar as consequências dessas decisões na sua vida e na de todos nós.
Segundo notícia do Público, está em vias de ser privatizado o controle metrológico que assegura a calibragem de todos os instrumentos de medição do comércio, saúde, segurança e fiscalização, uma actividade que gera ao Estado um lucro anual de um milhão de euros. Parece-me bem. Não vejo razão nenhuma para nos preocuparmos com a regulação da calibragem das balanças de transacções económico-financeiras.
Vai ser lançado hoje em Lisboa o livro "Street Art Lisbon" (*) que pretende registar e mapear a arte urbana, também conhecida por «arte efémera». Interessante a proximidade desta forma de expressão artística com a do mundo financeiro. Em ambas encontramos o esforço de valorização do património através do disfarce e da cosmética e, como lembra Inês Machado hoje no Público, a qualquer momento «alguma pode ter deixado de existir». Apesar dos esforços da autoridades, «o lado underground vai sempre existir, é quase o pulsar deste(s) movimento(s)».
Ana Gerschenfeld apresenta hoje no Público as conclusões de um estudo muito interessante co-coordenado por Luís Bettencourt (Instituto Santa Fé - EUA) baseado na análise das comunicações móveis.
O estudo conclui que «seja qual for o tamanho da cidade onde vivemos, a probabilidade de que os nossos amigos se conheçam entre si não se altera», isto é, apesar de nas grandes cidades «haver maiores oportunidades de interagir com mais indivíduos e com indivíduos mais diversos» isso não ocorre.
É interessante e preocupante este resultado. Os autores sugerem uma explicação. Isto acontece porque «os seres humanos se organizam instintivamente em comunidades sociais compactas». Revelador. Apesar do imenso potencial relacional, estamos a formar grupos social e culturalmente demasiado homogéneos e pouco dialogantes entre si.
NOTA: HCM chama a atenção no Alcatruz para a particularidade da nossa sensibilidade relacional com estrangeiros, que explicará um pouco a colonização portuguesa (LINK). Será que estaremos a perder essa qualidade genética no micro-cosmos urbano português?
O caso de Aveiro também foi estudado. Segundo o estudo temos em média 8 contactos e a probabilidade de eles se conhecerem entre si é de 20% (http://senseable.mit.edu/urbanvillages/), valor semelhante ao de Lisboa.
Aqui está uma interessante pista de investigação levantada por Nicolau Santos hoje no Expresso. Se é verdadeira a hipótese de que quem paga publicidade nos media «compra» boas notícias, não seria importante conhecermos com rigor e detalhe, em todos os meios de comunicação social, a nível nacional, regional e local, quem são os principais investidores (privados e públicos) em publicidade? Não seria este um importante veículo para uma mais transparente relação entre os media e os cidadãos?
Precisamos encontrar a frequência que nos sintonize rapidamente de volta à anormalidade (sugerida por João Paulo Baltazar). Na TSF e no país. A minha homenagem a todos os que não desistem de a procurar!
A propósito do despedimento colectivo no grupo Controlinveste (TSF, JN, DN, entre outros), acabei de assinar a petição «Pela liberdade e democracia» http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT74087. Ainda há espaço para mais assinaturas. Importa agir, enquanto é tempo!
«A perda efectiva da Pátria e com ela do autogoverno e da democracia, é no actual curso europeu que está a mudar um projecto comunitário e de coesão, por um império imperfeito, incoerente, desigual e hierárquico, em que Portugal ocupa o downstairs. Serve para passar férias e está em prisão domiciliária por dívida» Pacheco Pereira,Público
SUBMISSÃO INACEITÁVEL II | «Que sentido tem a democracia portuguesa se os eleitores portugueses vão deixar de poder escolher quase tudo que é decisivo para o seu país e para as suas vidas?» Pacheco Pereira, Público
Temos o país em risco. 4 milhões de automóveis produzem diariamente mais de 60% das deslocações, 3x mais do que tínhamos há 20 anos, uma parte delas de curta duração. Andamos menos a pé (16%, menos 55% que em 1991) e de transporte colectivo (17%, menos 1/3 em igual período). Ao mesmo tempo, 1 milhão de adultos e 15% das crianças entre 6 e 9 anos são obesos. Mas não só. 3,5 milhões de adultos e 1/3 das crianças entre 6 e 9 anos têm excesso de peso. Temos cidades e cidadãos em risco cardiovascular, com consequências conhecidas.
A bicicleta enquanto modo de deslocação diário tem alguma expressão em certas zonas do país (sobretudo no Baixo Vouga, mas também no Baixo Mondego, Pinhal Litoral e Algarve), sobretudo nas deslocações para a escola e também trabalho. Mas tem expressão residual a nível nacional (0.5%).
Mas algo está a mudar. Em 2012 venderam-se mais bicicletas que automóveis (113.408 automóveis e 350.000 bicicletas). E exportamos 200 milhões de euros de bicicletas (o Paulo Rodrigues da ABIMOTA lembra que isto é um pouco menos de metade da cortiça). Somos o 5.º maior produtor de acessórios e o 7.º de bicicletas na Europa.
Para além dos 30.000 utilizadores regulares, mais de 100.000 pessoas praticam desporto em bicicleta. E alguns usam-na em passeios de fim-de-semana e em férias.
A bicicleta pode ajudar a tratar da saúde das nossas cidades, da nossa economia, da nossa saúde. Talvez não seja preciso inventar a roda, mas podemos encontrar a mudança certa. E cada um de nós pode fazer algo por isso!
Um questão interessante lançada hoje no Diário de Aveiro pelo jornalista João Peixinho a propósito da campanha da Pavesini em Aveiro (*). Teresa Aragonez - especialista em marketing e docente do IPAM - chama a atenção para o potencial de projecção internacional da cidade no mundo e para a curiosidade que o vídeo pode vir a despertar junto de potenciais turistas (só no youtube são mais de 50.000 visualizações; se vier a passar na televisão italiana poderão ser alguns milhões). Acontece que esta exposição mediática coloca vários desafios à nossa cidade o maior dos quais passa por não defraudar os futuros visitantes.
As imagens da campanha da Pavesini em Aveiro dão que pensar (https://www.youtube.com/watch?v=SDlTZofXa7c). Uma empresa de bolachas consegue fazer com pouco dinheiro um conjunto de micro-intervenções no espaço público - bancos, flores e umas pinturas - que mudam a imagem de uma cidade (projectando-a por este mundo fora). Bem sei que a cidade precisa de outras mudanças, mais profundas, mas talvez estes pequenos passos, efémeros que sejam, nos permitam ganhar ânimo para outros voos. Será que não conseguimos juntar esforços para tornar um pouco mais doce a vida da nossa cidade?
Ouvi agora na SIC João Paulo Baltazar da TSF referir que um dos critérios para ter sido despedido foi o facto de ter o salário mais alto da estação. Ora JPB foi um dos fundadores da rádio, é considerado pelos seus pares (e por mim) como um dos mais talentosos jornalistas e foi premiado por várias reportagens que coordenou. Como accionista diário da TSF, exijo perceber a racionalidade desta decisão da administração!