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ESTADO SOCIAL

respigos e reflexões sobre o território e a sociedade

olhar o mundo a partir duma loja de conveniência

06.06.15

As lojas de conveniência dos aeroportos são o que mais próximo temos da internet no mundo real. Em poucos minutos, podemos navegar por entre um mundo de jornais e revistas, das mais sofisticadas às mais banais. O retracto que vos deixo é a minha selecção, parcial certamente. Mas estão aqui quatro temas aos quais julgo não poderemos fugir nos próximos tempos, a saber: o problema do discurso único e falta de arenas com impacto mediático para uma discussão sobre alternativas; as dúvidas sobre a orientação ideológica e programática dos partidos sociais-democratas europeus (a dúvida é sobre o PS francês mas pode ter leituras mais abrangentes, mesmo em Portugal); a necessidade de reinventar a forma como pensamos o futuro dos países a partir das cidades e por sua vez como planeamos as cidades para e com as comunidades (o caso de Nantes que visitei esta semana deveria ser um case-study para as cidades portuguesas); finalmente, a necessidade de pensar o crescimento e o emprego através da promoção da inovação de produtos e serviços para responder às necessidades básicas dos cidadãos construindo colaborativamente essas novas ofertas (a conferencia velo-city 2015 onde estive presente foi um bom exemplo do que pode ser esse "mundo novo").<

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Primeiras impressões do Velocity 2015 - sugestões para os municípios portugueses

03.06.15

 

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A conferência Velo-City juntou este ano em Nantes mais de 1.600 participantes de cerca de 60 países. É um pequeno continente de activistas, cientistas, políticos e empresários que se forma durante quatro dias para falar de bicicletas e, este ano, da forma como estas podem ajudar a construir um futuro melhor («cycling: future makers»).

A sessão de abertura, normalmente excessivamente protocolar, teve alguns discursos marcantes. Do conjunto retive o apelo para que as conversas dos próximos dias não se centrem na bicicleta, mas nas cidades que queremos ter e nas necessidades dos seus cidadãos. Um apelo oportuno para que as conclusões possam chegar aos 91% de pessoas que na Europa não andam de bicicleta.

Das intervenções do primeiro dia, das quais destaco a dos autarcas de Rennes, Estrasburgo e Nantes, municípios franceses referência nesta matéria, registo as seguintes três sugestões de aposta. A necessidade de cidades e bairros de proximidade que reduzam as deslocações entre casa, trabalho e serviços, oferecendo aos seus utilizadores mais densidade, massa crítica e tempo. Também foi proposto a aposta num espaço público qualificado visando reduzir a velocidade, aumentando a partilha do espaço pelos diferentes modos de transporte e a segurança para os mais frágeis. Por último, foi recomendada a criação de multi-serviços de apoio aos ciclistas centrandos na procura das condições para ultrapassar os obstáculos básicos que  impedem a mudança de modo de transporte, nomeadamente o estacionamento seguro (no espaço público, edifícios actuais e futuros), a manutenção da bicicleta, o apoio à deslocação (através das tecnologias) e as entrega de compras e pequenos volumes ao domicílio.

Do ponto de vista metodológico, também três medidas. Fixar objectivos razoáveis para a quota modal da bicicleta e medir regularmente o impacto das medidas. Envolver as comunidades na concepção e implementação das propostas, nomeadamente através de novas figuras institucionais (como os conselhos de utilizadores de espaço público recentemente criado em Nantes - ver exemplo). Após resolvidos os principais problemas do centro da cidade, iniciar iniciativas semelhantes nos territórios mais periféricos, garantindo um maior equilíbrio espacial nas intervenções e preocupação.

Está aqui uma boa agenda para os municípios portugueses.